Episódio 06 – Alegoria da Caverna – Platão / Música: Primeiros erros

     Como exposto no início desse episódio, a alegoria da caverna de Platão foi simplificada, no conteúdo e na interpretação, para atender a um objetivo específico desse projeto. Certamente ela pode ser explorada em níveis mais profundos e, principalmente na direção da teoria de Platão sobre o mundo das ideias e formas perfeitas que se separa do mundo dos sentidos, onde se visualiza apenas sombras imperfeitas de uma realidade somente alcançada pela razão.

     

     Em nosso projeto ‘Da Sociologia ao Rock’ queremos chamar a atenção para os questionamentos da realidade, e a perspectiva de crescimento e amadurecimento da reflexão sobre o mundo e seus conceitos e verdades. Na alegoria, os prisioneiros da caverna acostumaram-se com as sombras e atribuem a elas a realidade. No entanto, fora da caverna existe outro mundo ainda não descoberto por eles de onde emanam as formas perfeitas daquilo que de fato é real e verdadeiro. Em uma época de polarizações, divergência e incapacidade de diálogo pelas certezas absolutas que erigimos a nossa volta, é essencial o exercício de se perguntar a cerca das verdades e explorar novos conhecimentos.

 

    Pensando nisso sugerimos dois exercícios: Primeiramente, busque interpretar os elementos dispostos na alegoria de forma a retratar o nosso mundo atual. Por exemplo: o que a caverna representa para nós hoje? O que pode ser essa caverna em nossos dias? Quem são as pessoas presas no interior da caverna, as correntes, o mundo exterior, a luz?... etc.

Num segundo momento, perceba que quando pensamos na alegoria da caverna, podemos cometer o equívoco de atribuir a nós mesmos o papel da pessoa que se libertou das correntes e descobriu a verdade, e às outras pessoas a nossa volta, o papel dos que continuam presos no interior da caverna sem conhecer a verdade. Assim, o errado sempre é o outro. Proponho, como exercício, considerar que os papeis não são assim tão definidos e que, na realidade, nós é que estamos vivendo de uma grande ilusão e acreditando em ideias distorcidas de uma realidade que anda não alcançamos. Você é capaz de realizar esse exercício? De abrir mão de suas crenças, ao menos por um instante, e pensar a partir do argumento do outro? Quem sabe você até perceba que há sentido na opinião que o outro defende. Ou talvez perceba que, se os dois defendem ardentemente uma ideia, há também a chance de os dois estarem enganados.

 

     Vale lembrar que o que nos torna capaz de evoluir é, além de questionar as verdades do mundo, questionar as nossas próprias verdades.